|
|||||
|
|
|||||
Arquivo de Notícias
|
||||||||
Saudades da Indonésia e da Selva de G-LandSegunda, 07 Setembro 2009 08:06 André Parente nasceu no Porto, em 1974, e licenciou-se em Administração e Gestão de Empresas, em 1998. Começou a viajar desde muito cedo com a mãe, que trabalhava numa companhia de aviação, e rapidamente apanhou o gosto e vício das viagens. Em 2004, começa a viajar sozinho nas férias e, em 2007, deixa a empresa onde trabalhava há quase 8 anos para fazer uma viagem à volta do mundo, que relata em directo num blogue convidado do Jornal Público. No regresso, lança o site de informação e dicas de viagem Tempo de Viajar www.tempodeviajar.com e intensifica a sua aprendizagem sobre viagens, turismo e webmarketing, áreas que começa a trabalhar com projectos próprios e como freelancer. Saudades da Indonésia e da Selva de G-Land G-land, ou Grajagan, é um lugar situado num extremo da floresta tropical do Parque Nacional de Alas Purwo, na ilha de Java, Indonésia. Para lá chegar, é preciso ir de barco ou conduzir durante várias horas pelo meio de caminhos de terra e areia no meio da selva.
É um local isolado, uma zona crítica no que respeita ao ataque de mosquitos transmissores de malária e, relatos desde há muitos anos atrás, falam de rugidos de tigres a meio da noite e de presença de lagartos gigantes. É o palco de uma das, indiscutivelmente, melhores ondas do mundo.
No final da terceira onda, quando remo de volta para o pico, sinto qualquer coisa a bater-me na prancha. Num susto rápido, levanto os pés e bato com os braços na água.
Às vezes, particularmente quando estou em sítios que não conheço bem, assusto-me até com a cordinha que se enrola no pé ou com pequenas algas que se colam ao corpo. Outras vezes, quando vejo um set grande a entrar desde lá de fora, imagino que pode ser um tsunami.
Não é uma hipótese totalmente disparatada, estando aqui na Indonésia.
Um espanhol, que acabara de conhecer, viu-me com o pé fora de água. - Não. Acho que alguma coisa me mordeu. Sinto a picar muito. - Medusa (ler com sotaque castelhano)! Jellyfish, you now? - Pois, se calhar foi. E isto passa rápido? - Si, un o dos dias. Bueno, depende da la medusa!
É a última surfada do dia e, quase de certeza, a última surfada na Indonésia, que será também a última antes do jejum de trinta e muitos dias que se aproxima, enquanto viajo pelo sudoeste asiático.
Apesar do cansaço, estava com vontade de aproveitar a luz do dia até à última e, na verdade, a quilha solta não atrapalha assim tanto. O pior é mesmo perdê-la, se continuar a surfar e acabar por se soltar.
E se isto tudo é um sinal? Faço contas de cabeça: no total, já levo 7 dias de G-land; isso é qualquer coisa como 10 ou 12 surfadas; mais ou menos 50 ou 60 ondas boas.
E se “alguém” me está a querer dizer que já tenho a minha conta e que, a partir de agora, só vai piorar? Primeiro a medusa. Agora a quilha a soltar-se.
Serão avisos? O que é que se segue? Um espalho no reef? O tal tsunami imaginário?
De um lado, vejo o grupo de idiotas que chegou ontem, e com quem tive a primeira discussão dentro de água em 6 meses de viagem, a disputar o pico como se fosse o último prato de comida que os seus pobres espíritos têm para se alimentar nos próximos dias.
Do outro, vejo a tranquilidade do recife seco com a selva cerrada por trás, onde apenas se destaca a torre de observação. Sim, já tive a minha conta.
Despeço-me do Bob, um Havaiano com quem surfei várias vezes na mesma secção durante esta semana e com quem trocava incentivos e alegrias depois de uma ou outra onda mais intensa.
Apanho uma última onda para sair e fico a ver os outros até o sol se pôr.
Ao fim do primeiro dia, todo o staff sabe o nome dos 20-30 hóspedes, um por um, e atendem-nos com uma atenção e um carinho que nos faz sentir entre família, aqui isolados numa ponta da selva.
Mais relatos, fotos e dicas de viagem em www.tempodeviajar.com
3.25 Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved." |
||||||||
|
© 2010 STrail - Design by DMM, lda |
||||||||